Exportações de chocolate brasileiro crescem em mercados estratégicos


O chocolate brasileiro encontra oportunidades em mercados que vão desde destinos tradicionais e de acesso facilitado na América do Sul até grandes consumidores de produtos premium na América do Norte e na Europa. É o que aponta o Estudo de Acesso a Mercado – Chocolate 2026, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O levantamento analisa requisitos e condições de acesso para chocolates e produtos que contenham cacau em quatro mercados considerados prioritários para o setor: Chile, Uruguai, Estados Unidos e Reino Unido. Juntos, esses destinos receberam aproximadamente US$ 227,6 milhões em produtos brasileiros do segmento entre 2021 e 2025, uma média anual de US$ 45,5 milhões.

Os quatro países foram escolhidos por reunirem oportunidades relevantes para o chocolate brasileiro, considerando o potencial de mercado, o comércio com o Brasil e a avaliação de especialistas do setor. O estudo busca ajudar as empresas brasileiras a entender melhor esses mercados, desde as oportunidades de negócios até as condições e exigências para colocar seus produtos nas prateleiras de cada país.

Exportações crescem nos quatro mercados

Entre 2021 e 2025, o Chile foi o principal destino entre os países analisados, com US$ 91,7 milhões em exportações brasileiras de produtos do segmento. Na sequência aparecem Uruguai, com US$ 77,2 milhões, e Estados Unidos, com US$ 56,8 milhões.

Em 2025, os quatro mercados registraram crescimento nas compras de chocolate brasileiro. O maior avanço percentual ocorreu no Reino Unido, com alta de 40,8%, seguido por Uruguai (+27,9%), Estados Unidos (+17,9%) e Chile (+17,2%).

As características de cada destino, no entanto, apontam caminhos diferentes para as empresas brasileiras. Chile e Uruguai apresentam as condições tarifárias mais favoráveis, com tarifa de importação de 0% para os produtos avaliados, em razão dos acordos comerciais vigentes no âmbito do Mercosul.

Estados Unidos e Reino Unido oferecem oportunidades especialmente para produtos de maior valor agregado, como chocolates especiais, bean-to-bar e marcas que consigam associar seus produtos à origem do cacau, sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade.

Nos Estados Unidos, em particular, o estudo identifica potencial para marcas posicionadas em nichos gourmet, nos quais a decisão de compra tende a ser menos sensível ao preço e mais relacionada à qualidade, à procedência do cacau e à experiência proporcionada pelo produto.

Diversificação de mercados

 Apesar do potencial, o mercado norte-americano apresenta atualmente um ambiente tarifário mais desafiador para os chocolates brasileiros, com a incidência de tarifas adicionais que elevam o custo de acesso em relação aos demais mercados analisados.

Ainda assim, chocolates premium e especiais podem manter espaço competitivo por meio da diferenciação e do posicionamento em nichos específicos, com destaque para atributos como qualidade, origem, identidade do produto e valorização do cacau brasileiro.

A diversificação de mercados é uma das estratégias da ApexBrasil para ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior. Nesse trabalho, estudos de inteligência de mercado ajudam as empresas a identificar oportunidades e a conhecer as condições de acesso a diferentes destinos, apoiando decisões mais estratégicas no processo de internacionalização.

Diversificar mercados passa por conhecer onde estão as oportunidades e preparar as empresas para aproveitá-las. Estudos como este oferecem informações importantes para que o setor produtivo possa avaliar novos destinos, compreender as características de cada mercado e definir estratégias de internacionalização. É esse trabalho de inteligência, aliado às ações de promoção comercial, que contribui para ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

No Reino Unido, as tarifas aplicadas aos produtos analisados variam entre 8% e 11,08%, dependendo da categoria. O mercado também apresenta oportunidades para chocolates diferenciados, sustentáveis e de alta qualidade.

Diferenciação como estratégia

O estudo reforça que não existe uma única estratégia para a entrada do chocolate brasileiro no exterior. Enquanto Chile e Uruguai se destacam pela proximidade e pelas condições tarifárias favoráveis, mercados como Estados Unidos e Reino Unido podem ser explorados por empresas capazes de agregar valor ao produto e construir uma identidade associada à qualidade e à origem brasileira. 

Nesse contexto, a recomendação é que as empresas invistam em diferenciação, qualidade, rastreabilidade e certificações reconhecidas internacionalmente. Esses atributos ganham importância principalmente em mercados nos quais consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos que combinem sabor, origem, sustentabilidade e transparência na cadeia produtiva.

O Estudo de Acesso a Mercado – Chocolate 2026 integra as iniciativas da ApexBrasil para apoiar empresas brasileiras em diferentes estágios de maturidade exportadora, oferecendo informações estratégicas para a tomada de decisão e para a ampliação da presença de produtos brasileiros no mercado internacional.

 

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