Com juros altos e baixa demanda interna, indústria gaúcha fecha 2025 em retração, aponta pesquisa do Sistema FIERGS


A produção industrial do Rio Grande do Sul encerrou 2025 com retração. O índice do setor ficou em 36,1 pontos em dezembro, abaixo dos 50 pontos, patamar que indica queda da atividade em relação ao mês anterior. O resultado é o pior para o mês desde 2015, conforme a Sondagem Industrial do Sistema FIERGS, divulgada nesta quinta-feira (29). Juros elevados e baixa demanda interna seguem como os principais fatores de pressão sobre o setor.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a combinação entre juros elevados, falta de demanda interna, insegurança jurídica e dificuldades para exportar após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos torna o ambiente ainda mais desafiador. “São entraves enfrentados pelo setor produtivo gaúcho, que, apesar de resiliente, opera com baixa confiança e dificuldade para investir”, ressalta Bier.

O mercado de trabalho industrial também apresentou desempenho negativo em dezembro. O índice de número de empregados fechou em 44,9 pontos, registrando a sétima queda consecutiva e a mais intensa do período. A utilização da capacidade instalada recuou de 69%, em novembro, para 64%, em dezembro, o menor nível para o mês desde 2017. Já o indicador de utilização da capacidade instalada em relação ao usual caiu para 38,3 pontos.

Os estoques de produtos finais permaneceram praticamente estáveis em dezembro, com índice de 50,1 pontos. No entanto, o indicador de estoques em relação ao planejado atingiu 54,2 pontos, o maior nível desde julho de 2023, sinalizando excesso de produtos armazenados.

4º TRIMESTRE
No quarto trimestre de 2025, os industriais avaliaram de forma negativa a situação financeira das empresas. A margem de lucro (41 pontos) e a situação financeira (48,5 pontos) permaneceram abaixo do nível considerado satisfatório. O acesso ao crédito seguiu restrito, com índice de 40,3 pontos, apesar de leve melhora. Já os custos com matérias-primas continuaram em alta, com o índice de preços dos insumos alcançando 55,1 pontos.

A demanda interna insuficiente foi apontada como a principal dificuldade do período, citada por 36,6% das indústrias. Apesar de ainda liderar o ranking, houve redução dessa percepção em relação ao trimestre anterior. A elevada carga tributária apareceu em segundo lugar (33,6%), seguida pelos juros altos, mencionados por 32,8% dos empresários, que seguem em patamar crítico.

Destaca-se, ainda, a ascensão da insegurança jurídica para a quarta colocação, com 22,4% das menções (+6,3 p.p. ante o trimestre anterior), atingindo o maior percentual da série histórica iniciada no primeiro trimestre de 2015, evidenciando a preocupação crescente do setor com a estabilidade do ambiente de negócios.

EXPECTATIVAS
Em janeiro, os indicadores de expectativas mostraram melhora em relação a dezembro. Para os próximos seis meses, os empresários projetam crescimento da demanda (52,2 pontos) e das compras de matérias-primas (53,2 pontos). O índice de emprego atingiu 50 pontos, indicando estabilidade após período de retração. As expectativas para as exportações, no entanto, permanecem negativas, com índice de 47,2 pontos.
 

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