Do grão ao contêiner: entenda os tipos de carga movimentados nos portos


Diariamente, diferentes tipos de mercadorias passam pelos portos brasileiros. Entre elas estão grãos, minérios, fertilizantes, combustíveis, veículos, alimentos, produtos industrializados e cargas transportadas em contêineres. Para que essa movimentação aconteça, cada tipo de carga exige uma operação própria.

Algumas mercadorias são transportadas soltas, em grandes volumes, como os granéis. Outras seguem em contêineres padronizados ou são movimentadas como carga geral. Em cada operação, são necessários equipamentos, estruturas de armazenagem e procedimentos específicos para embarque, desembarque e transporte. Entender essas diferenças ajuda a compreender como funciona a logística portuária e por que os portos têm estruturas tão diversas.

Granéis sólidos, líquidos e gasosos

Os granéis estão entre os principais grupos de carga movimentados nos portos. Eles são transportados em grandes quantidades, sem embalagem individual, e podem ser divididos em granéis sólidos e granéis líquidos e gasosos.

Os sólidos são produtos secos movimentados em grande volume. Podem ser de origem vegetal, mineral ou industrial. Alguns exemplos são soja, milho, trigo, açúcar, minério de ferro, fertilizantes e carvão.

Para armazenagem, esse tipo de carga costuma exigir estruturas como silos, armazéns, moegas, correias transportadoras, carregadores de navio, descarregadores e equipamentos de controle ambiental. Esses recursos ajudam a reduzir perdas, proteger a carga da umidade e controlar a dispersão de poeira durante as operações.

Já os granéis líquidos e gasosos são cargas movimentadas em grandes volumes, geralmente por meio de navios-tanque, dutos, bombas e tanques de armazenagem. Entre os exemplos estão petróleo e seus derivados, combustíveis, óleos vegetais, produtos químicos, gás liquefeito de petróleo e gás natural liquefeito.

No caso dos gases liquefeitos, o produto é mantido em estado líquido por meio de condições específicas de pressão ou temperatura, o que facilita o armazenamento e o transporte em maior volume. Essas operações exigem cuidados específicos de segurança, prevenção de vazamentos, controle ambiental e monitoramento das condições de armazenagem e movimentação.

Contêineres

A carga conteinerizada é aquela transportada dentro de contêineres, unidades padronizadas que facilitam o transporte por navios, caminhões e trens. O contêiner permite reunir diferentes mercadorias em uma mesma unidade de transporte, com mais facilidade de controle, empilhamento e transferência entre modais.

Entre os produtos transportados em contêineres podem estar alimentos industrializados, roupas, calçados, eletrônicos, peças automotivas, máquinas, produtos farmacêuticos, móveis, bebidas e bens de consumo.

Nos portos, esse tipo de carga exige pátios de contêineres, portêineres, guindastes, empilhadeiras, sistemas de rastreamento e áreas específicas para contêineres refrigerados, usados no transporte de produtos que precisam de controle de temperatura. Uma sigla comum nesse tipo de operação é TEU, unidade usada no setor portuário para medir a quantidade de contêineres movimentados, tendo como referência o contêiner padrão de 20 pés.

Carga geral

Na carga geral, são reunidas mercadorias que não são movimentadas como granel. São cargas transportadas em unidades, volumes, peças, caixas, fardos ou equipamentos. Quando não estão acondicionadas em contêineres, podem ser classificadas como carga geral solta.

Entre os exemplos estão veículos, máquinas, equipamentos industriais, produtos siderúrgicos, bobinas, madeira, peças de grande porte e mercadorias embaladas. Esse tipo de carga pode exigir guindastes, empilhadeiras, carretas especiais, rampas, pátios, armazéns e amarração adequada, principalmente quando envolve cargas pesadas, grandes dimensões ou itens que precisam de cuidado no manuseio.

Assim, cada tipo de carga movimentada nos portos exige planejamento, infraestrutura e equipes especializadas. Essa diversidade ajuda a explicar por que os portos contam com terminais diferentes, equipamentos próprios e procedimentos específicos para cada operação. Na prática, a organização dessas cargas é parte essencial da logística que conecta produção, indústria, comércio, abastecimento e transporte no país.

Foto: Eduardo Oliveira/MPor

 

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