Descarbonização marítima abre nova frente de competitividade para o Brasil, avalia diretor da Vast


A descarbonização do transporte marítimo deve ser encarada não apenas como uma agenda ambiental, mas como uma oportunidade estratégica para fortalecer a competitividade da cadeia logística e energética brasileira.

A avaliação foi feita por Adriano Lima, diretor de Sustentabilidade da Vast Infraestrutura e coordenador do Grupo de Trabalho de Descarbonização Marítima do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), durante o evento “Diálogos de Energia: O futuro da energia em São Paulo – Caminhos para a competitividade e o desenvolvimento sustentável”, realizado nesta terça-feira (9), em São Paulo. O encontro foi promovido pelo IBP, em parceria com a InvestSP e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Durante o debate, o executivo destacou que o tema vai além da redução das emissões dos navios e impacta diretamente uma das principais cadeias exportadoras do país.

“Quando falamos da exportação de petróleo brasileiro, estamos falando de uma cadeia que depende profundamente do transporte marítimo. Portanto, discutir a descarbonização marítima é discutir a competitividade futura de uma das principais cadeias exportadoras do país”, afirmou Adriano.

Segundo o diretor, a transformação em curso é impulsionada simultaneamente por fatores regulatórios, comerciais e financeiros, como as metas da Organização Marítima Internacional (IMO) e as exigências crescentes de embarcadores e investidores.

O diretor da Vast destacou que o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo nesse cenário, por combinar relevância logística, produção de petróleo, liderança em biocombustíveis e uma matriz energética competitiva.

“Poucos países possuem simultaneamente relevância logística, recursos naturais e potencial energético para participar dessa transformação. O Brasil não deve enxergar esse movimento apenas como uma obrigação. Trata-se de uma oportunidade de desenvolvimento industrial, logístico e energético. O país pode não apenas abastecer navios, mas contribuir para abastecer a transição energética global”, disse.

Segundo Adriano, o setor caminha para um cenário com múltiplas rotas tecnológicas, e o desafio será posicionar o Brasil para capturar valor ao longo dessa transformação.

A infraestrutura tem papel central nesse processo, seja por meio da eficiência logística, da redução das emissões das operações atuais ou da preparação para os combustíveis da transição energética.

Nesse contexto, a Vast aposta em três frentes: eficiência operacional, com o uso de navios de grande porte (VLCCs), que reduzem a intensidade de emissões por barril exportado; descarbonização das operações, por meio de iniciativas como o uso de HVO (diesel verde) e a avaliação de novas soluções para redução das emissões portuárias; e preparação da infraestrutura para os combustíveis da transição.

Em 2025, a companhia realizou, no Terminal de Líquidos do Açu (TLA), o primeiro abastecimento com HVO do setor marítimo brasileiro. O terminal também foi projetado para armazenar e movimentar combustíveis marítimos e produtos de menor intensidade de carbono, como biocombustíveis, SAF, e-metanol e amônia verde.

“A transição energética dependerá menos de anúncios e mais de infraestrutura efetivamente disponível. Capital, tecnologia e interesse existem. O principal desafio agora é reduzir as incertezas para investimentos de longo prazo e criar as condições necessárias para que essa transformação ganhe escala”, concluiu.

 

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